Medo e VidaNos últimos meses minha grande preocupação vinha sendo o medo de perder.
É muito estranho, mas o medo me paralisou de tal forma que comecei a não ver mais graça nas coisas, nas pessoas, no trabalho, na família e nem na vida. A vida tornou-se cinzenta, insuportável. A todo instante me vinha sobressaltos de pavores infundados de perder o que tinha conquistado.
Já passei por isso antes e desta vez, não queria sentir esse gosto amargo de novo. Procurei ajuda num consultorio de psicologia. Mas nem assim o medo passava.
Saia de casa para trabalhar e tinha medo de deixar a pessoa que amo sozinha. O telefone dele tocava e tinha medo de que fosse uma pessoa importuna. Final de semana tinha medo da forma que as coisas aconteciam. Fui ficando cada vez mais e mais assustada com meu medo, com mais medo de perder o que eu nem tinha certeza se tinha ganho.
O psicólogo dizia que eu precisava prestar mais atenção em mim, me libertar daquilo e fazer coisas que me afastassem do objeto do medo. Aquilo era pior. Não queria ficar longe dele, pq aí sim o medo crescia ainda mais.
Começaram as brigas. Intermináveis e cada dia ficava mais e mais triste. Via que aquilo não podia continuar daquele jeito.
Coemecei a faltar do trabalho, a carregar um olhar triste e pesado. Não era mais aquela mulher feliz e cheia de vida.
Resolvi repensar tudo e questionar se aquilo estava valendo a pena. Foi quando percebi que aquele medo nada mais era do que ciúmes. Mas ciúmes é um sentimento de posse, de um objeto que acreditamos possuir. Mas um objeto não pensa, não age, não se emociona e comecei a perceber que pessoas não são objetos e não pertencem a ninguém. Ninguém tem o poder de manipular ninguém!
Comecei a reelembrar tudo que me deixava triste naquela relação e percebi que a maior culpada daquela tristeza era eu mesma. Se eu o havia aceitado de volta e se ele havia lutado para me ter de volta também teria que ser diferente. Não poderia ser o mais do mesmo. Foi então que renasci e mudei. Hoje acordei e coloquei a melhor roupa e ao sair para trabalhar pude perceber o quanto sou desejada, o quanto havia esquecido de mim ao viver a vida do outro e para o outro. Hoje é um dia diferente pois me apaixonei por mim novamente e não quero mais me perder. Quanto ao medo de perder o outro, isso passou... Ninguém é de ninguém, nem eu mesma sou dele. Estamos felizes, e essa felicidade irá durar o tempo necessário.
Tudo a seu tempo.